Jornalismo Digital


  • Denise Paciornick

    Inclusão Digital


    15:14 em Internet, Jornalismo por Denise Paciornick


    O Brasil está constantemente passando por transformações, apesar de seremos considerados um país de Terceiro Mundo, estamos há alguns passos à frente de muitos outros países chamados assim. Porém, ainda temos muito que crescer e se desenvolver. Para que isso aconteça, é preciso, primeiramente haver uma qualidade de vida, em todos os sentidos, mais digna e acessível para todos, independente da condição financeira. Após essa etapa, outra medida a ser tomada é a inclusão digital.
    Apesar de muitos acreditarem que o acesso à internet, por meio de banda larga, wirelesse e celular já se tornou algo banal, para muitos o sonho de poder ter uma conexão mais rápida é a realidade de grande parte dos brasileiros. É nesse Brasil, dentro do Brasil, onde adolescentes não podem ver os vídeos mais famosos do YouTube, que não tem um perfil no Orkut e nem almeja um convite para o Google Wave. Conhecem o MSN e até possuem uma conta, porém, levam nove horas para conseguir fazer download do programa, torcendo para que a conexão não caia. O grupo dos desconectados totalizam 94,2% do país. Embora o acesso a conexão rápida tenha aumentado 10%, ela atinge apenas 5,8% da população brasileira.
    Para tentar reverter essa situação o governo federal pretende lançar o Plano Nacional de Banda Larga, com o intuito de levar a internet rápida para aproximadamente 80% dos municípios. O objetivo do plano é expandir o acesso com planos de até R$9,90, e levar a oportunidade até a casa dos usuários. Por outro lado, seria impensável atingir toda essa população com conexões individuais, ou seja, é preciso investir em acessos coletivos, o que se entende: escolas, bibliotecas e centros comunitários. Dessa forma, seria possível substituir os locais que possuem acesso pago, como por exemplo, as lan houses, que são o ponto de conexão para quase um terço dos internautas do Brasil.

    A exclusão digital
    São muitos os motivos para que ocorra essa exclusão digita, o primeiro e talvez principal deles seja o alto custo dos planos de banda larga, no nosso país, um plano de 1Mbps custa no mínimo US$ 25, já nos Estados Unidos, cada mega sai por US$3 e no Japão US$0,27. Outro motivo aparente é que o serviço não chega em todos os lugares, a conexão rápida é restrita aos grandes centros, e os apagões de conexão são comuns em partes do Brasil. No Amapá, 1% da população tem acesso à rede, e desses, 64% o faz por meio de conexão de até 64 Kbps.
    Em Pernambuco uma boa conexão custa a partir de R$100 por mês, por essa razão apenas 1,19% da população tem banda larga na região.
    De acordo com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o serviço de banda larga é inacessível para boa parte dos brasileiros. O valor mais baixo encontrado para 1 Mbps foi R$49,90 mensal, oferecido pela Brasil Telecom, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e em Rio Branco, no Acre. Em Manaus, o Vivax, pacote da Net, custa R$249,90. Ainda segundo o Idec, a insatisfação com o serviço acontece devido a concentração do mercado, um monopólio por tecnologia. O Idec afirma que Oi-Brasil Telecom, Telefônica e Net tem 87,2% do mercado de banda larga brasileiro.

    É preciso ter inclusão digital
    “Inclusão digital” deixou de ser um termo para se tornar um jargão. Empresas e governos falam da democratização do acesso e inclusão digital sem critérios e sem dar a devida atenção para os efeitos desejados. A verdade é que virou moda falar no assunto, ainda mais no nosso país, onde existem tantas dificuldades como impostos, burocracia, educação, entre outros, para facilitar o acesso aos computadores.
    Antes de mais nada, inclusão digital significa melhoria nas condições de vida de uma determinada comunidade ou região com ajuda da tecnologia. A expressão se originou a partir do termo “digital divide”, que em inglês significa “divisória digital”, ao pé da letra. Dependendo do contexto, é comum lermos, atualmente, expressões similares como democratização da informação, universalização da tecnologia, entre outras parecidas e politicamente corretas.
    Porém, incluir digitalmente não é apenas ensinar as pessoas a mexerem em um computador, é também melhorar os quadros sociais, por meio da utilização de computadores. A melhor forma de fazer isso é mostrando para as pessoas que elas podem ganhar dinheiro e ensiná-las a fazer isso e, a partir de então, melhorar de vida com a ajuda dessa máquina.
    É comum esse erro de interpretação, pois muita gente acha que essa inclusão baseia-se em colocar computadores na frente das pessoas e mostrar para elas como usar o Windows e os pacotes de escritório. Esse erro leva as população a criarem cenários mirabolantes para a chamada inclusão digital, como acontece com escolas ou comunidades que recebem computadores novos, mas não os utilizam porque não tem telefone para ter acesso à internet ou porque não tem professor qualificado para ensinar a mexer neles.
    É preciso entender que colocar um computador nas mãos de uma pessoa ou vendê-lo por um preço baixo não é inclusão digital. Incluir digitalmente é passar conhecimentos, mostrar os benefícios próprios e coletivos que as pessoas podem adquirir por meio da ferramenta. Praticar a inclusão social por meio da digital é uma área pouco estudada em nosso país, mas que traz bons resultados.

    O crescimento social no centro do palco
    Há quem acredite que em países pobres não se deva falar em inclusão digital, pois existem muitas pessoas passando fome e desempregadas. Porém, são as nações menos favorecidas que costumam se beneficiar com as ações de inclusão. Mark Warschauer, professor da Universidade da Califórnia e integrante do Centro de Estudos em TI e Organizações, acredita que no Brasil, a inclusão digital precisa ser acentuada com mais prática e menos teoria
    Comunidades de baixa renda, normalmente atraem menos investimentos de infra-estrutura de telecomunicações e tecnologias, o que gera menos motivação de empresas e governos. Sendo assim a tendência de diminuir as ofertas de bons empregos e serviços, se torna mais frequente. Atualmente o termo “inclusão digital” é impreciso, pois não mostra à sociedade o contexto social que está envolvido na questão. Seria mais correto usar a ideia de apropriação social das tecnologias de informação e comunicação, que tem relação direta com a tomada de consciência e cidadania na sociedade.
    A verdade é que não basta oferecer internet e acesso a programas para a população, é preciso transformar a perspectiva de vida das pessoas e buscar soluções práticas para que haja uma mudança positiva para os usuários. Entretanto, falta objetividade nos telecentros construídos pelo governo.

    Tecnologia e fonte de renda
    Por outro lado, muitos países considerados de baixa renda, possuem iniciativas de inclusão digital que merecem ser destacadas, pois demonstram como o acesso às tecnologias e boa vontade podem mudar o cenário da pobreza.
    Um exemplo, é Honduras, onde uma ONG instalou estações de trabalho em comunidades rurais, onde os computadores funcionavam por energia solar, pois na região não existia energia elétrica. Havia carência de infra-estrutura de telecomunicações e, não tendo telefones, não há possibilidade de acessar a internet. A ideia, então, foi utilizar conexão via satélite, que tem um custo elevado. Entretanto, todo o equipamento utilizado pode se tornar auto-sustentável, e a própria comunidade pode arcar com os custos de manutenção.
    Depois que foi ensinado para as pessoas como usar as ferramentas e tirar proveito delas, os agricultores e artesãos passar a vender seus trabalhos via internet. Os jovens ainda tem a possibilidade de acessar salas de bate-papo para ensinar espanhol.
    Outro exemplo é a Índia, que se tornou um ícone da tecnologia, mas que também possui índices de pobreza e desigualdade. Hoje, eles exportam software e tem especialistas exímios em tecnologia, que são cobiçados pelos países mais ricos e conseguem contratos milionários. Apesar de não parecer, os números sociais da Índia são piores do que no Brasil, segundo dados divulgados pelo governo, apenas 0,5% da Índia tem acesso à internet. Com um população que chega a quase um bilhão de pessoas, mesmo parecendo muito, ainda assim, em termos relativos, está longe de chegar aos 11% que existe no Brasil, de acordo com o Ibope/Netratings. Em relação às linhas telefônicas, a Índia possui apenas 2,2 para cada cem habitante.
    O computador é uma ótima diversão, mas serve também como fonte de renda e de cidadania, mas muitos governos em desenvolvimento não sabem como fazer a inclusão digital, nem mesmo o Brasil. É preciso unir a tecnologia com o desenvolvimento do país, para que assim as pessoas possam crescer, ter uma fonte de renda e conhecimento.






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