Uma das maiores preocupações de pais, psicólogos e professores é a relação das crianças e dos adolescentes com a internet. Desde que surgiram os bate-papos, as redes sociais e os programas de conversas instantâneas, foi levantada a questão da socialização, pensou-se que os jovens não sairiam mais de casa, que fariam tudo por meio da internet, colocando em risco a vida em sociedade e a realidade.Porém, de acordo com uma pesquisa feita pela Walt Disney, com crianças de oito a 14 anos, revelou que, apesar de não terem conhecido o mundo sem a internet, elas ainda preferem encontrar seus amigos no mundo real, sem contar que elas são ambientalistas, amam seus pais, sabem navegar pela internet e adoram vídeo-games.
Ao todo foram entrevistados 3.020 jovens dessa faixa-etária, em toda a Europa, que a Disney chamou de Geração XD. Ainda segundo a pesquisa, ao mesmo tempo em que essa nova geração abraça a tecnologia, ela também mantêm os valores familiares tradicionais e se utilizam da internet para brincar e fazer lição de casa.
Entretanto, essas crianças tem uma compreensão superior de questões sócio-econômicas, valores familiares e já demonstraram padrões de comportamento que terão um grande impacto no futuro.
Mesmo com a grande popularidade das redes sociais, como Facebook, Orkut, Twitter, entre outros, quase um terço dos entrevistados disseram preferir encontrar pessoalmente com seus amigos, mesmo que 44% deles tenham dito que a internet ajuda a manter o contato. Sete, entre cada dez crianças, disseram que usam a internet principalmente como forma de entretenimento, para jogar, enquanto 59% afirmaram usar a internet ao longo do dia para fazer tarefas escolares.
Jovens da Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Itália e Polônia demonstraram forte sentimento de responsabilidade, sendo que 90% delas disseram que é importante cuidar do planeta e 74% afirmaram que reciclam lixo regularmente.
Mesmo com toda essa consciência, ainda é preciso ter certos cuidados com o que as crianças e os adolescentes fazem na internet. De fato ela é uma ferramenta que só tem a acrescentar para a formação dos jovens, pois é possível ter acesso a diversas páginas educativas, procurar sobre história ou qualquer assunto, que facilmente se encontra resposta, mas também existe o lado negativo, pois essa facilidade toda do meio, abre espaço para a pedofilia, a pornografia e crimes cibernéticos.
Pela falta de preparo dos adolescentes, para distinguir o certo do errado, o bom do ruim e, principalmente, pela inocência existente, é mais difícil para eles verem maldade nas atitudes de pessoas mal intencionadas, gerando assim abertura para que pessoas de má índole se aproveite das crianças usando golpes conhecidos por nós, adultos, mas que para elas é apenas uma brincadeira, algo sem maiores consequências.
Sendo assim, é preciso a supervisão de pais e responsáveis, que haja um monitoramento daquilo que os jovens acessam na rede e, principalmente, estar em um diálogo constante, alertando para os perigos de falar com estranhos, avisar que em hipótese alguma deve fornecer números de telefone ou endereço do local onde mora e estuda. Se analisarmos bem, os cuidados que eles devem ter online, são os mesmos da vida real.
Para ajudar os pais nessa difícil tarefa, existe a SaferNet Brasil, que é uma associação civil de direito privado, que tem atuação nacional, sem fins lucrativos, se vinculação político partidária, religiosa ou racial. Ela foi fundada em 2005, com o objetivo de receber denúncias sobre crimes cometidos na internet, além disso disponibiliza cartilhas de segurança e patrocina pesquisas sobre o uso da mesma no Brasil.
Uma pesquisa realizada em 2008 pela organização, teve como foco as crianças, os adolescentes, os jovens e os pais no Brasil e contou com 1.400 entrevistados. Dentre os participantes, 87% afirmaram que não possuem qualquer restrição para utilizar a internet, 53% tiveram contato com conteúdos agressivos, 38% dos jovens relataram já terem sido vítimas de ciberbullying, 10% disseram já ter sofrido algum tipo de chantagem online, 64% dos jovens usam a internet, principalmente, no próprio quarto, contrariando uma das dicas de prevenção, que orienta manter o computador em uma área comum da casa, 55% dos jovens reconhecem que passam muito tempo na internet, 27% afirmaram já ter encontrado (pessoalmente), ao menos uma vez, amigos que conheceram na internet e 21% disseram que fornecem livremente o nome da escola e dos locais que frequentam.
Confira a pesquisa completa na SaferNet Brasil.
Confira a cartilha de segurança da SaferNet Brasil.
Fontes: Terra e GF Soluções