Foi lançado ontem, oficialmente o iPad, da Apple, o tão aguardado tablet da empresa. O aparelho é um pequeno computador, em formato de prancheta que pesa pouco menos de 700 gramas e tem tela sensível ao toque de 9,7 polegadas, com espessura total de 1,2 centímetro. Ele tem apenas um botão e o teclado fica na própria tela. Seu tamanho é semelhante ao de um teclado tradicional. Também conta com uma versão com conectividade 3G. Steve Jobs, diretor-executivo da Apple, diz que o iPad se encaixa em uma nova categoria de produto, que fica entre o smartphone e o notebook, sem ser, necessariamente, um netbook. O produto tem a função de ser um intermediário entre os dois aparelhos existentes e durante anos, a equipe da empresa se prepara para lançar essa nova categoria, com o objetivo de ser melhor do que um laptop e do que um smartphone.
Com o iPad é possível navegar pela web, por enquanto sem o suporte ao padrão Adobe Flash, como no iPhone), ver vídeos e ouvir música, com downloads direto da iTunes Store. A tela é sensível a múltiplos toques e permite digitar em um teclado virtual. O produto usa um processador Apple A4 de 1 Ghz, tem conectividade Wi-Fi, armazenamento de 16 GB a 64 GB (em memória flash), bluetooth 2.0, alto-faltantes, microfone e uma bateria que dura até 10 horas. O lançamento do mesmo, o maior da empresa desde o iPhone, há três anos, tem o objetivo de criar uma nova categoria de aparelho sem fio, que vai permitir o uso de jogos e diversos outros tipos de mídia.
O tablet usa o mesmo sistema operacional do iPhone, o que torna possível rodar aplicativos do smartphone em tela cheia no iPad. A Apple oferece um novo kit de desenvolvimento de software para o iPhone para a criação e aplicativos do novo produto. Além disse, conta ele vem com aplicativo iBooks, para a leitura de livros eletrônicos, que permite a compra de livros eletrônicos de cinco editoras norte-americanas, inicialmente. Vai ser o mais novo concorrente do Kindle da Amazon.com. Além disso, vai ser possível ter acesso a um programa de leitura do jornal “New York Times” e a um jogo do Eletronic Arts. O aparelho também roda uma versão adaptada do pacote de produtividade iWork, da Apple.
Em relação à versão 3G, será venda exclusiva da operadora AT&T, nos Estados Unidos, com planos especiais de dados para o aparelho, que custará US$499 para 16GB, US$599 para 32GB e US$699 para 64GB. O aparelho com essa opção custa US$130. De acordo com a empresa, o iPad na versão Wi-Fi começará a ser vendido daqui 60 dias, com 3G em 90, somente para os Estados Unidos.
Apesar de estar sendo muito comentado e ter agitado o mundo virtual e teconológico, segundo analistas, o iPad não será necessariamente um produto de venda fácil. Isso acontece porque a quantidade de consumidores de um aparelho que fica entre o smartphone e o laptop ainda não foi detectada, apesar de existirem produtos, como o Kindle, que estão sendo disputados.
A verdade é que, aos olhos de boa parte dos consumidores, o iPad tem o diferencial de uma bateria de 10 horas, pois por mais prático que seja obter vários produtos em um só, as pessoas já possuem smartphones e notebooks, sendo assim uma desvantagem se desfazer daquilo que os consumidores já possuem. E, de acordo com Steve Jobs, o objetivo da Apple esse anos, de acordo com a frase de abertura de apresentação do produto é: “Começar 2010 lançando um produto mágico e revolucionário”. Entretanto, a única mágica que o iPad pode oferecer são 10 horas de bateria.
O mundo impresso
Por outro lado, as editoras depositam grandes esperanças que o computador tablet atraia novos leitores e reforce a receita, mas poucas esperam que o aparelho seja capaz de reverter, sozinho, a queda de um setor em crise há anos. Investidores e analistas são otimistas quanto às perspectivas para grupos editoriais, como Time Warner, Conde Nast, New York Times e HarperCollins. Entretanto, mantêm a cautela e alertam que o aparelho é apenas parte da solução para a fuga de leitores em busca de conteúdo mais barato oferecido pela web. Os grupos editoriais, por sua vez, estão desenvolvendo estratégias amplas que incluem celulares inteligentes e outros aparelhos.
De acordo com Mike Vorhaus, presidente da Magid Advisors, o tablet da Apple elevaram em 10 a 20% a receita digital dos grupos. Porém, os grupos estão cientes do dano que a loja digital de músicas iTunes, da Apple, causou às gravadoras, ao ditar preços e permitir que os consumidores adquiram as faixas individuais desejadas, o que destruiu as vendas de álbuns. Para antecipar o tablet, Time Warner, News Corp, Conde Nast, Meredith e Hearst anunciaram em dezembro planos para uma loja digital apelidada de “Hulu para revistas”, que promoveria a venda de versões eletrônicas de todos os seus títulos.
Fontes: Terra e O Globo