Não é novidade que passar muitas horas em frente ao computador é prejudicial à saúde, tanto física quanto mental. Entretanto, nem todos sabem quais as verdadeiras consequências desse exagero. Em época de férias é mais visível esse excesso em adolescentes, que aproveitam que não tem compromissos e passam horas jogando, em bate-papos ou simplesmente procurando o que fazer. Muitos chegam a trocar o dia pela noite, trazendo alguns malefícios. As consequências mais comuns são problemas de visão e tendinite. Porém, a reclusão social que esse excesso provoca é extremamente prejudicial aos jovens, principalmente naqueles mais tímidos. De acordo com psicólogos, a internet por si só não traz nenhum dano aos usuários nem mesmo à sua vida real. O problema é o uso prolongado e abusivo, passar dias, meses e anos em frente ao computador, deixar de sair com amigos ou ter momentos de lazer, a médio e longo prazo, pode ocasionar mudanças de comportamento na vida dos adolescentes. Jovens que eram extrovertidos no quesito convivência com pessoas reais, com o tempo podem apresentar mudanças de atitudes e se tornarem tímidos, inseguros, se tornam intolerantes para algumas situações e se isolam socialmente.
Os psicólogos afirmam que a utilização do computador fascina muito os jovens, principalmente por trazer entretenimento, diversão e interatividade, o que pode causar “esquecimento” do mundo exterior. A grande prova disso é que muitos jovens passam horas em frente ao PC e não observam o tempo passar. Simplesmente esquecem, quando percebem já anoiteceu ou, caso contrário, o dia já está clareando.
É preciso esclarecer que a internet não é algo negativo, entretanto, pode se tornar no caso de utilização abusiva. Do ponto de vista psicológico, ficar muito tempo focado na internet pode causar danos sim. Um deles pode ser a depressão e a dependência tecnológica. Além desses problemas, o medo de rejeição e necessidade de aceitação também contribui para o uso indiscriminado dessa ferramenta. Outro ponto que deve ser observado em relação ao uso prolongado do computador é o efeito colateral à respeito da saúde física e problemas nos estudos. Os jovens passam a dormir menos para ficar mais tempo conectados à internet, dormem tarde, sendo que muitos precisam acordar cedo para ir à escola. E, consequentemente, apresentam baixo desempenho dentro da sala de aula e ficam sonolentos, o que resulta em um déficit cognitivo, em pedra de capacidade de concentração, atenção e aprendizado. Juntamente com esses fatores, alguns podem apresentar dores nas costas, devido ao longo tempo que passam sentados, dores nos braços, na cabeça, cansaço nos olhos, passam a se alimentar mal (ou substituem refeições por refrigerantes e bolachas ou ainda não comem nada para ficarem mais tempo online). Há casos em que adolescentes ganham peso pela falta de prática de exercício, começam a ter cansaço excessivo devido a noites mal dormidas ou porque ficam muito tempo online, que resulta em um sistema imunológico baixo, predispostos a qualquer tipo de doença.
A verdade é que, para evitar qualquer tipo de doença física ou mental, não existe um tempo limite para ficar em frente ao computador. O tempo ideal de permanência na internet é muito relativo. Para crianças, recomenda-se estabelecer regras claras e tempo limite para que não haja excessos. A sugestão é de 45 minutos a uma hora por dia. Para os adolescentes, talvez de duas a quatro horas seja o ideal, sem esquecer de combinar horário para dormir e acordar. Mas, tudo isso depende das regras que os pais impõem aos filhos, ensinando-os que eles podem utilizar a internet como forma de entretenimento, informação e trabalho, mas que tudo precisa de limites.
Os estudos comprovam
Um estudo feito por cientistas britânicos, revelou, nessa quarta-feira, que quem passa muito tempo em frente à internet tem mais propensão a apresentar sintomas de depressão. Não está claro, no entanto, se a internet pode causar depressão ou se a rede atrai os deprimidos. Psicólogos da Universidade de Leeds afirmaram que tem notado uma impressionante evidência de que alguns internautas desenvolvem uma compulsão na qual substituem a interação da vida real por salas de bate-papo e sites de relacionamento social. A autora do estudo, Catriona Morrison, disse que isso reforça a especulação pública de que o excesso de engajamento em sites que servem para substituir a função social normal poderia levar a transtornos psicológicos correlatos, como depressão e dependência.
A verdade é que, esse tipo de “surfe adictivo” pode ter um sério impacto na saúde mental. Na primeira parte da pesquisa com jovens ocidentais sobre essa questão, os estudiosos analisaram o uso da internet e os níveis de depressão entre 1.3149 britânicos de 16 a 51 anos e concluíram que 1,2% deles eram viciados em internet. Esses dependentes passavam proporcionalmente mais tempo em sites de conteúdo sexual, de games ou comunidades online. Apresentaram também um incidência maior de depressão moderada ou severa do que a média dos usuários normais. Por essa razão, os responsáveis pelo estudo afirmaram que o uso excessivo da internet está associado à depressão, mas ainda não se sabe o que vem primeiro: as pessoas deprimidas atraídas para a internet ou a internet que causa a depressão. Porém, o que está claro que é para um pequeno grupo de pessoas o uso exagerado da internet pode ser um sinal de alerta para tendência depressivas. Embora o percentual de 1,2% de dependentes seja baixo, representa o dobro da incidência de viciados em jogos na Grã-Bretanha, que é de 0,6%.
Já no lado oriental, o número de jovens chineses viciados em internet chegou a 24 milhões, em 2009, de acordo com um estudo da Associação da Juventude Chinesa para Desenvolvimento da Rede. Segundo os dados, um em cada sete internautas chineses considerados jovens, é viciado na grande rede. Em 2005, essa proporção era duas vezes menor. Foram entrevistados mais de 7 mil jovens para a pesquisa.
A China possui 384 milhões de internautas, é a maior população cibernética do mundo e, em média, cresce 30% ao ano. No país, um terço dos chineses que acessam a internet, tem menos de 19 anos. E é exatamente nesse segmento que da população que a navegação mais cresce. De acordo com a pesquisa, 15,6% dos jovens de 18 a 23 anos são viciados em internet. Entre as crianças de 6 a 12 anos, 8,8% delas apresentam condutas típicas de um dependente. Para os especialistas, um viciado em internet é aquele que, diariamente, por pelo menos três meses, gasta mais de seis horas do seu tempo livre navegando na internet.
Fontes: Terra e AtlasPsico