Jornalismo Digital


  • Denise Paciornick

    Dia da Internet Segura


    16:24 em Internet, Jornalismo Digital por Denise Paciornick


    Hoje, dia 09 de fevereiro, é o Dia da Internet Segura (Safer Internet Day), em 55 países, inclusive no Brasil. O objetivo é a mobilização para instruir os internautas sobre o uso seguro e responsável da web. O tema desse ano é “pense antes de postar” (think B4 U post), como um alerta sobre os perigos das informações que são divulgadas de forma irresponsável ou impulsiva no ambiente online.
    Alguns casos podem ser citados, como forma de exemplo, dentre eles o da apresentadora Xuxa, que no ano passado se envolveu em uma confusão no Twitter, depois que sua filha, Sasha, postou uma mensagem no microblog com erro ortográfico: “sena” ou invés de “cena”. Muitos seguidores a criticaram e Xuxa, em uma atitude inesperada para muitos, entrou em conflito pela web. “Vocês não merecem falar comigo nem com o meu anjo”, escreveu a apresentadora, pouco antes de abandonar o site.
    Outro caso muito comentado aconteceu no Facebook. Com a popularização das redes sociais, ficaram comuns os casos de pessoas demitidas depois de escreverem demais na web. Um exemplo é Lindsay, que após escrever que odiava seu chefe e que achava que a companhia a obrigava a fazer muitas tarefas, seu chefe, Brian, respondeu: “Oi, Lindsay. Acho que você esqueceu que me adicionou aqui, não?” Em seguida ele afirmou que pagava para ela fazer as tarefas e ainda lembrou que faltavam apenas duas semanas para a funcionária concluir o período de testes, que é de 6 meses. Resultado: ela foi demitida.
    Um assunto que traz muita polêmica (será melhor discutido durante o texto) é o cyberbullying. Em 2006, um deles se tornou notícia na imprensa norte-americana, pois levou a jovem Megam Meier, de 13 anos, ao suicídio. A responsável pela intimidação e pelas pressões foi Lori Drew, de 49 anos. Ela criou um perfil falso no site MySpace, se passando por um jovem de 16 anos e, de acordo com os advogados, a intenção era humilhar a menina, que teria espalhado boatos sobre a filha de Drew. Elas eram vizinhas e frequentavam a mesma escola em St. Louis, no estado do Missouri.
    A adolescente tinha históricos de depressão e passou a trocar mensagem com o “rapaz”, que dizia ter acabado de se mudar para o mesmo bairro. Meses depois, o falso jovem rompeu a amizade virtual com Megan, com uma mensagem que dizia “o mundo ficaria melhor sem você”. Em seguida, ela se enforcou.
    Um caso curioso aconteceu nos Estados Unidos, em 2005, onde uma sul-coreana ficou famoso por conta de uma situação que, provavelmente, não a deixou muito orgulhosa. Ela estava no metrô com seu cachorro de estimação, o animal defecou dentro do vagão, a jovem não limpou e alguém registou a cena com o celular. Em seguida as imagens foram parar na internet e a estrangeira ficou conhecida, em pouco tempo, como a Dog Poop Girl (garota do cocô do cachorro). Na época, saíram reportagens sobre o caso em questão de dias e a estudante começou a ser reconhecida na rua por conta de seu cachorro e também da bolsa (seu rosto estava parcialmente coberto no vídeo). O passado dela e de sua família foi divulgado na internet e em fóruns de discussão, onde virou alvo de ataques. O autor da mensagem não tinha ideia da propagação da história.
    Aconteceu nos Estados Unidos também, um caso um tanto quanto inusitado. Um fugitivo foi preso após ter atualizado seu status no Facebook, o que permitiu que a polícia descobrisse seu paradeiro. Maxi Sopo, acusado de golpe de cerca de US$200 mil em fraudes bancárias, adicionou um ex-funcionário do Departamento de Justiça dos EUA como amigo na rede social. Ao afirmar que estava “vivendo no paraíso” e que só “queria se divertir”, Sopo foi detido em Cancun.
    Usar a internet pra expor alguém, normalmente se volta contra você mesmo. Philip Smith, um executivo da Brodway, levou a melhor no divórcio depois que Tricia Walsh-Smith decidiu usar o site de vídeos Youtube para contar o lado B da vida do casal. Na decisão do caso, em Nova York, o juiz responsável considerou que a ex-mulher de Smith agiu de forma cruel e desumana ao falar mal dele e de sua família. Para mostrar suas “vítimas” no vídeo online, Tricia usou fotos do álbum de casamento.

    Cyberbullying
    De acordo com pesquisas, o cyberbullying, a versão online da prática, tem potencial para fazer mais vítimas que a forma tradicional. Com apenas uma foto ou um vídeo na internet, a pessoa pode virar motivo de piada ou ainda pode correr o risco de ter um perfil virtual falso, onde alguém se passa por outra pessoa e inventa histórias à respeito da mesma sobre coisas que fez ou não.

    No bullying offline, as vítimas costumam ser crianças tímidas ou com características fora do que se considera padrão, tais como desempenho escolar melhor ou pior que o dos colegas, peso abaixo ou acima da média, entre outros.
    Os mais novos são os que mais sofrem com essas ações. Pela falta de experiência com as ferramentas virtuais e a falta de malícia, acabam se tornando vulneráveis ao cyberbullying. Normalmente as crianças não tomam cuidados básicos, como não contar senhas que utilizam e esquecer de fazer logoff de e-mail e programa de mensagens. Por isso é preciso a orientação de um adulto. Entretanto, o bullying não pode ser motivo de proibição do acesso à internet. É uma ferramenta útil, mas precisa de cuidados.
    As vítimas de bullying devem recorrer à justiça. Se alguém criou uma comunidade para zombar de seu filho ou está distribuindo e-mails ofensivos, por exemplo, é preciso procurar ajuda. É comum ouvir frases como “Fulano é CDF”, “Ciclano, aprende a falar!” O deboche entre crianças e adolescentes é frequente nas escolas e ganha espaço e gravidade na internet.
    Muitas vezes tratado como brincadeira, o bullying, termo usado para descrever essas agressões verbais ou físicas constantes, pode ter consequência graves e exige atenção de pais e professores, tanto no mundo real quanto no mundo virtual.
    O crescimento de apelidos e histórias mentirosas ganham o respaldo da sensação de anonimato que a web permite. O promotor de justiça criminal Lélio Braga Calhau, de Minas Gerais, alerta que se for uma comunidade ou perfil falso, é preciso fazer um “PrintScreen” (comando que copia a imagem exibida na tela) e imprimir a figura. O responsável pela vítima pode fazer uma denúncia em uma delegacia de polícia ou diretamente no Ministério Público. É importante fornecer o máximo de detalhes possíveis sobre o caso, como endereço de site que veiculou a ofensa, dia e horário em que estava no ar e nome de quem publicou, caso a vítima saiba. Após a denúncia, a Justiça exige que o site retire a página ofensiva do ar.
    É preciso entender que o anonimato na internet é uma falsa impressão, pois a Justiça brasileira consegue descobrir o autor da ofensa e encaminhar o processo contra ele. O autor da agressão pode ser processado e ter de pagar indenização. No caso de se tratar de um menor de idade, a conta pode pesar no bolso dos pais.
    Sendo assim, é preciso ter cuidado redobrado. Os pais precisam verificar se seus filhos não sofrem esse tipo de intimidação, pois a maioria tem vergonha de contar, e também é preciso procurar descobrir se são autores de bullying. Para proteger os filhos das ameças dos tempos modernos, a dica é antiga: conversar em casa, ver se está tudo bem, analisar o comportamento. A vítima de bullying dá sinais de nervosismo, irritação, perde a vontade de ir à escola e se afasta dos amigos. Já os autores costumam ter comportamento violento, agressivo e egoísta. É preciso que os pais conheçam os filhos que tem.

    Cartilha de Segurança da Internet
    Para facilitar o uso da internet, foi criada uma cartilha com a finalidade de sanar dúvidas comuns sobre segurança de computadores, redes e sobre o significado de termos e conceitos da internet. Também oferece um guria de procedimentos que tem como objetivo aumentar a integridade do computador e de posturas que o usuário deve adotar para garantir sua segurança.

    Confira aqui a cartilha

    Fontes: UOL e Terra






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