Jornalismo Digital


  • Denise Paciornick

    Google fazendo barulho


    15:44 em Internet, Jornalismo Digital, Tecnologia por Denise Paciornick


    A Google é uma empresa que vem se destacando por vários motivos, entretanto, ganha notoriedade também pelos seus fracassos, como é o caso do Orkut e do Google Wave. Mas, como tem a visão de estar sempre inovando para de certa forma ganhar destaque, a empresa não desistiu de buscar seu lugar ao sol no quesito redes sociais.
    Aqui no Brasil o Orkut tem seu espaço, mas no resto do mundo é praticamente desprezados. Já o Google Wave, veio com o objetivo de unir todas as redes existentes, com promessas de mudanças. Passado alguns meses, aqueles que ganharam o convite se desiludiram da mesma forma que os antigos usuários do Orkut. Não viram nada de novo, nada de atraente e simplesmente o abandonaram.
    Como não poderia deixar de ser, a Google mais uma vez está tentando se encontrar, para isso fez o maior barulho e lançou o Buzz. Não é uma aplicação nova e sim um “aditivo” que a empresa decidiu implantar em uma de suas ferramentas, essa sim muito popular e muito utilizada, o Gmail. O Buzz funciona como um agregador de atividades do usuário em algumas redes sociais: Twitter, Flickr e Picasa (que é da própria empresa) já estão incluídos no pacote.
    Diferente de todas as outras criações da Google, essa não é preciso receber convite ou se inscrever, todos os usuários do Gmail terão o ícone colorido do Buzz acrescentado na barra lateral, mesmo para aqueles que não se interessam pela ferramenta.
    E ele não vem sozinho, automaticamente gerará para o usuário uma lista de seguidores, fazendo as vias do Twitter. A pessoa abre a aplicação pela primeira vez e descobre que já está sendo seguida por 10 ou 12 pessoas. A lista aparece a partir dos contatos mais frequentes do Gmail e do Gtalk (a aplicação de bate-papo da Google, que nunca rivalizou com o MSN, mas ganhou certa popularidade depois que foi incluída na página de entrada do correiro eletrônico).
    Porém, esse pode ser um grande causador de problemas do Buzz. Se a pessoa tem um perfil público de usuário, a lista de seguidores e seguidos aparece para qualquer um que o acessar, seu chefe, por exemplo. E, se você andou trocando e-mails recentemente com um concorrente, possivelmente ele iriá aparecer na sua lista. Essa falha foi apontada pelo site americano Business Insider. Mas, com um pouco de cautela é possível resolver esse problema, basta realizar alterações no perfil.
    Após as primeiras horas do lançamento, as opiniões estavam divididas. Alguns apontaram grandes virtudes na aplicação e um grande número de pessoas afirmaram não terem visto nada além de mais uma tentativa de emular produtos bem sucedidos, como Twitter e Facebook.
    Juntamente com a estreia do Buzz, veio a sua versão para smartphones. A facilidade para postar a partir de telefone móveis foi uma vantagem do Twitter, desde seu nascimento, e é uma das razões de sua popularidade. As versões para iPhone e Android (outra invesão da Google) já podem ser baixadas nas respectivas lojas de aplicativos.
    De acordo com o gerente de produto do Gmail, Todd Jackson, essa já era uma grande rede social e o Buzz traz essa rede para a superfície, ao programar-se para que você siga, automaticamente, as pessoas com quem tem mais contato por e-mail e chat. Essa rede já inclui outros produtos da família Google, como os documentos do Google Docs e as notícias do Reader – isso sem contar com o já citado Picasa. Todos esses podem sincronizar-se com o Gmail, sem que o usuário precise mexer em nenhuma configuração. A verdade é que o Buzz vem com todas as características de substituto para o sem sucesso Wave.
    O serviço ainda não se estabeleceu e tem alguns problemas. Um deles é o fato de estar preso ao Gmail, um dos fatores de sucesso do Twitter é a facilidade que há para terceiros construírem aplicativos para usá-los em qualquer ambiente. Ou seja, isso torna essa rede “imbloqueável” nas empresas, acessível a todo e qualquer momento e altamente usado para cobrir acontecimentos. Já o Buzz, não tem essa capacidade, mas, de acordo com sua documentação em alguns meses sua API será aberta.
    Outro fator que torna o Twitter um sucesso é que tudo é mensurável. É possível saber quantos seguidores temos, quantos retwittes e quantos cliques foram dados em um link. Isso tem a ver com um dos itens citados acima, o API aberto. Outra questão é que não é possível saber quem é o mais seguido no Buzz, por exemplo. Esses números são importantes para as empresas que investem em social media.
    Um ponto muito negativo do Buzz é o fato de receber resposta de buzz enviado direto como e-mail. Para aqueles que usam o Gmail de forma profissional isso é algo terrível. Mas, existe uma forma de desabilitar essa função. Leia aqui.
    Por outro lado, o Buzz pode fazer sucesso com aqueles que não gostam do Twitter. São aqueles que tem aversão à ferramenta pelo fato dela não disponibilizar imagem e nem textos acima de 140 caracteres. Lá, você pode fazer isso. É como um blog, mas sem o trabalho de administrar, moderar comentários e ter trolls te incomodando. Por outro lado, esse pode ser um problema para aqueles que tentam aderir aos novos meios. Quem gosta de tecnologia e inovações, certamente está testando o Buzz e, diferente do Twitter, é complicadíssimo acompanhar uma conversa, a falta de limite deixa os que gostam de falar com a oportunidade de fazer enormes textos, já os que tem preguiça de ler, nem se dão ao trabalho de passar da primeira linha.
    Outro mecanismo que falta no Buzz é, como existe no Twitter, a forma de dar RT (retwittar, ou seja, repetir o que um amigo disse, dando o devido crédito). No Buzz não existe uma maneira, caso você goste de algo que leu, de repetir. Também não existe a possibilidade de enviar uma mensagem direta.
    Talvez um dos problemas mais sérios do Buzz seja a falta de filtros de conteúdo. Não há marcação de hashtags, também não é possível bloquear determinados assuntos que não sejam de seu interesse. Será que todo o “buzz” que o Buzz gerou não é negativo?
    Mais um ponto, que pode ser negativo é saber até quando ter dezenas de pessoas falando em uma timeline é útil. Talvez não seja exagero dizer que tanto barulho acabou uniformizando aquilo que chega, se transformando em uma grande massa de ruído que complica a chegada do conteúdo que realmente interessa: a informação.

    *Um pequeno adendo, para quem não sabe “buzz” no meio publicitário significa barulho.

    Fontes: Gazeta do Povo, Mundo Tecno, Meio Bit e Paliteiro






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