Complicações seguidas a uma anestesia bem conduzida são raras. Porém, infelizmente, podem acontecer.
Penso antes de cada anestesia que realizo: “será que este paciente e essa família está orientada que estão sujeitos as riscos anestésicos?”. Se tenho dúvida, explico novamente ao paciente, chamo familiares e não tenho receio de atrasar cirurgia eletiva se paciente tinha dúvida se ainda queria ser anestesiado.
Como na cirurgia, toda anestesia envolve risco, e isso ocorre apesar do desenvolvimento científico e tecnológico. Existem cirurgias maiores e menores, mas é difícil caracterizar “anestesia menor”.
Neste blog, o enfoque é dado à Anestesiologia.
Em primeiro lugar vem a boa prática da Medicina: saber o que se faz, fazer bem feito, com ética e profissionalismo e atualização constante.
Acredito que não seja aqui o lugar para se discutir erros e acertos, partindo do principio que se tratam de bons médicos e regularizados no Conselho de Medicina.
Quero conscientizar que a atividade da Medicina em geral é uma obrigação de meios e não de fins (ou resultados). Isto quer dizer que cabe a médico a obrigação de prestar o atendimento da melhor forma, com todo seu conhecimento e capacidade e utilizando-se do melhor à disposição.
“Nenhum médico, por mais competente que seja, pode assumir a obrigação de curar o doente ou de salvá-lo, ou em uma cirurgia atingir a perfeição. A ciência médica, apesar de todo o seu desenvolvimento, tem inúmeras limitações.” (http://www.wellingtonsantos.com/academico_4.htm)
Conforme apontado no Código de Ética Médica, no Capítulo II, Responsabilidade Profissional, Art 1º “É vedado ao médico causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência.”
Segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Avila defende que “o Código de Defesa do Consumidor não regula inteiramente a responsabilidade médica e não faz referência expressa aos serviços prestado por profissionais da medicina”. Segundo advogados e professores de Direito, o Código Civil é o recurso mais apropriado, pois permite que seja levadas em consideração no processo peculiaridades do trabalho médico – como a possibilidade de tratamento que não tenha o resultado esperado. (Jornal do CFM, Ano XXV, nº 191, Dezembro 2010)
A fim de evitar conflitos, sempre cabe à Instituição e ao médico elaborar um Termo de Consentimento Esclarecido, em linguagem clara e apropriada, assinalando claramente os riscos do procedimento e possíveis danos e sequelas. O paciente deve assinar antes da cirurgia, bem como o médico e uma cópia deve ser anexada ao prontuário e outra entregue ao paciente.
Ainda assim, apesar da boa prática da Medicina e Anestesiologia, nada disso impede processos e aborrecimentos nas intercorrências e complicações.
Abraços,
Úrsula Guirro
Quer deixar um médico anestesiologista irritado?
Comente que estava de jejum, mas mascou chiclete ou tomou só um gole de café….
Parece piada, porém não é! Casos assim ocorrem diariamente nos hospitais e clínicas que realizam anestesia, e se não bastasse atrasar o horário da cirurgia, acarreta risco ao paciente que não entendeu a recomendação correta.
E você, sabe o que é jejum?
Quando um médico solicita JEJUM POR OITO HORAS antes da cirurgia, ele quis dizer NADA PELA BOCA POR OITO HORAS.
Mas logo vem a dúvida “e se eu sentir sede, posso tomar um gole de alguma coisa?” ou “e se eu sentir fome?”.
Enfim, para os médicos mais exigentes, a resposta é nada pela boca. Ou seja, se sentir fome ou sede não vai poder fazer nada….
Alguns médicos mais liberais liberam um gole de água até duas horas antes da cirurgia. Estudos na medicina apontam que a água vai embora rápido do estômago e não acarretaria risco ao paciente. O mesmo vale para sucos sem resíduos (peneirados, sem polpa, sem sementes, sem casca e sem açúcar, como um suco maçã ou um chá claro sem açúcar).
Agora, vamos ser claros: um gole de água é um golinho, não uma caneca de meio litro! E suco sem resíduo não é uma vitamina com leite! E chá claro é erva-doce, cidreira, hortelã e não chá mate ou preto nem café!
Quanto ao leite de origem animal (vaca, cabra, soja), apesar de líquido ele contém muitas proteínas, e se comporta como um sólido. Demora muito tempo para ser digerido e não deve ser ingerido por oito horas antes de uma cirurgia.
Quanto aos refrigerantes e bebidas gaseificadas: o gás aumenta o volume gástrico e dificulta a digestão. Não devem ser utilizados antes de cirurgias e não dá para quantificar o tempo que vão embora do estômago.
Já a comida sólida, arroz com feijão e carne, essa leva cerca de seis a oito horas para deixar o estômago nos pacientes normais. Se for uma sopa leve e sem gordura ou chá com bolachas, esse tempo cai para seis horas. Então, respeite essas horas do jejum antes da cirurgia.
Quando tratamos de crianças, que ainda se alimentam de leite materno ou fórmulas infantis, solicitamos tempo de jejum um pouco menor. Para leite materno 4 horas e fórmulas infantis 6 horas.
Apesar de ser desagradável permanecer em jejum para uma cirurgia, o risco de ter comida no estômago pode ser muito alto. Então, respeite o jejum e em caso de dúvida, pergunte ao médico anestesiologista!
Para saber mais sobre “Por que ficar em jejum?” acesse http://comunidade.ctea.med.br/ursulaguirro/2010/11/29/por-que-tenho-que-ficar-em-jejum-antes-da-cirurgia/


Quem nunca teve uma dor aqui ou ali e tomou um comprimido de diclofenaco (ou qualquer outro antiinflamatório)?
Pois é… Os antiinflamatórios podem não ser tão inocentes assim.
Os estudos afirmam que cerca de 30% das pessoas que usam esse tipo de medicação podem ter efeitos adversos como dispepsia ( aquela queimação no estômago ou azia), sangramento digestivo, úlceras, insuficiência renal…
Outros estudos publicados afirmaram que o uso contínuo de alguns antiinflamatórios levaram a mais mortes por infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e acidente vascular encefálico (derrame cerebral).
Assim, evite fazer uso contínuo dessas medicações e sempre procure seu médico para mais informações!
Você saiu do consultório com uma cirurgia marcada.
Logo vem a pergunta “E a anestesia?”
O ideal é que seja marcada uma consulta de Avaliação Pré-Anestésica com o médico Anestesiologista, antigamente chamado de Anestesista.
Nessa consulta o paciente poderá tirar as dúvidas quanto à anestesia e o médico anestesiologista poderá fazer a avaliação clínica do paciente, verificar os exames (geralmente sangue e eletrocardiograma) e solicitar o que mais for necessário.
O ideal é que essa consulta seja marcada dias ou semanas antes da cirurgia: às vezes mais exames serão necessários ou algo na condição clínica do paciente precisa ser melhorada para maior segurança.
Não é incomum um paciente descobrir que tem hipertensão arterial (ou “pressão alta”) na consulta de avaliação pré-anestésica. Daí, precisará de tratamento por algumas semanas para não ter complicações durante a cirurgia.
O Conselho Federal de Medicina orienta que todos os pacientes que serão submetidos a procedimentos sob anestesia deveriam realizar a consulta de Avaliação Pré-Anestésica (Resolução de nº 1.802/06).